O que é um meningioma e porque a maioria é benigno?
Um meningioma surge de fora do tecido cerebral (extra-axial), não dentro dele; desenvolve-se a partir das células aracnoides da membrana de revestimento e forma uma inserção de base larga na dura-máter. Cerca de 80-85 % dos casos são benignos (grau 1 da OMS), enquanto uma proporção menor se comporta de forma atípica (grau 2) ou maligna (grau 3). É cerca de duas vezes mais frequente em mulheres do que em homens, a sua frequência aumenta com a idade e costuma crescer lentamente. Como o tumor tende a afastar lentamente o cérebro em vez de o infiltrar, a margem cirúrgica no doente adequado é muitas vezes mais clara; este é um dos fatores que tornam os resultados a longo prazo favoráveis no meningioma benigno.
Sintomas e diagnóstico
Como os meningiomas crescem lentamente, os sintomas são insidiosos e progressivos e dependem da localização do tumor: cefaleia própria do local, crises epilépticas, fraqueza de um membro ou perda de sensibilidade na zona comprimida, problemas visuais, perda do olfato e alterações de personalidade com localização frontal podem ocorrer. Uma proporção importante dos casos não causa sintomas. A RM cerebral com contraste é o padrão de referência para o diagnóstico; um meningioma costuma aparecer como uma massa de base larga, que realça de forma intensa e homogénea, com um «sinal da cauda» na dura-máter adjacente. A TC revela calcificação e espessamento ósseo. O diagnóstico definitivo só pode ser feito pelo exame anatomopatológico do tecido obtido na cirurgia.
Nem todo meningioma exige operação
A decisão de tratamento é tomada de forma individual segundo o tamanho, a localização, a velocidade de crescimento do tumor, os sintomas e o estado geral do doente. Para um meningioma pequeno e assintomático — sobretudo um encontrado num doente idoso — a abordagem mais apropriada costuma ser a vigilância ativa (observar e esperar) com RM periódica; nem todo tumor precisa de intervenção imediata. Para os tumores sintomáticos, em crescimento ou que comprimem, o objetivo é a resseção cirúrgica segura mais ampla possível. Para os tumores profundos ou de tamanho pequeno a moderado não adequados à cirurgia, a radiocirurgia estereotáxica (Gamma Knife, CyberKnife) é uma opção eficaz. Que via se escolhe é determinado por uma avaliação multidisciplinar; o nosso objetivo é oferecer a cada doente não «uma operação», mas o mais apropriado para ele.
O processo da cirurgia e a recuperação
Nos doentes programados para cirurgia, a preparação inclui um exame neurológico detalhado, uma RM com contraste, imagem vascular quando necessária e uma avaliação anestésica. Na cirurgia o doente é posicionado segundo a localização do tumor, basta uma rapagem o mais estreita possível dentro da linha do cabelo, remove-se o retalho ósseo e remove-se o tumor sob o microscópio com orientação por navegação. A dura-máter de inserção larga também é limpa quando necessário. O procedimento dura um tempo que varia conforme a localização e o tamanho do tumor. Depois costuma haver um dia de cuidados intensivos seguido de alguns dias de internamento; o grau de resseção é avaliado com uma RM de controlo e, se o resultado da patologia o indicar, planeia-se radioterapia.
Riscos e expectativas realistas
A cirurgia de meningioma é uma intervenção major e os seus riscos devem ser falados com honestidade: hemorragia, infeção, um défice neurológico temporário ou permanente conforme a localização, edema cerebral durante alguns dias e risco de convulsões. Estas taxas variam conforme a localização e o tamanho do tumor, a idade do doente e as doenças concomitantes; uma equipa experiente e uma seleção correta dos doentes reduzem estes riscos. No meningioma benigno (grau 1), os resultados a longo prazo após a remoção completa costumam ser bons, com baixo risco de recidiva; nos tumores atípicos e malignos o risco de recidiva é maior e o seguimento mais próximo. Não prometemos um resultado garantido; as expectativas são partilhadas abertamente antes da cirurgia.